21 de mar de 2011

Entrevista com Marina Silva sobre energia nuclear

Em suas conversas com a presidenta Dilma Rousseff sobre energia nuclear, a ex-senadora Maria Silva (PV) lembra que o argumento da então ministra de Minas e Energia para combater o investimento do Brasil em energia nuclear era o desperdício de recursos comparado a outras fontes alternativas. “Dilma sempre questionou o alto custo da energia nuclear”, afirma Marina, nesta entrevista, concedida na sede do Instituto Democracia e Sustentabilidade, ao Poder Online – a primeira depois do desastre do Japão que, para ela, deixa uma grande lição para a Humanidade e coloca em xeque o programa brasileiro. “É como se, no meio de todos os soldados, só nós é que estamos marchando certo”, questiona. Leia os principais trechos e assista ao vídeo.
Poder Online – O que o desastre no Japão deixa de lição para o Brasil na questão da energia nuclear?
Marina Silva – O que esse acidente terrível deixa para o Brasil e para a Humanidade é a lição de nos reconectarmos com o princípio da realidade. A nossa tecnologia e o nosso conhecimento são muito importantes e necessários para vários avanços na melhoria da qualidade de vida, mas, por outro lado, ela gera também um efeito de nos sentirmos quase que onipotentes, de decretarmos que as coisas estão seguras e de que estamos no controle. E aí vem um acidente com essa magnitude para nos mostrar que não é seguro, que não estamos no controle e que temos que ter um pouco mais de humildade frente a fenômenos que nós não conhecemos e que não controlamos. A grande lição é de nos reconectarmos com a nossa impotência para podermos ficar no lugar da potência, e não da onipotência.
Poder Online – Como muitos países, o Brasil também deveria rever seu programa?
Marina Silva - É como se, no meio de todos os soldados, só nós é que estamos marchando certo. É o que eu sempre digo: sábios são os que aprendem com os erros dos outros. Agora, estúpidos são os que não aprendem nem com os seus próprios erros. E neste momento não há erros dos outros. É o erro da humanidade. E a reação dos outros países é se colocando no lugar do Japão. Não é olhando para Japão, é olhando para si mesmo. E o único que não consegue olhar para si mesmo neste momento é o Brasil. A humanidade está em xeque. Fomos colocados em xeque por ousarmos achar que estamos no controle. Aquele navio no meio da pista, aquele caldo de carros, de lanchas, de navios, depois de uma onda gigante, que transformou tudo aquilo num pão de ló, que parecia uma sopa, que parecia lego. Aquilo é para nos conectar com a nossa impotência. Estamos vivendo um período nonsense. Temos que reconectar de novo.
Poder Online – Houve uma certa arrogância em relação à questão nuclear?
Marina Silva – Da Humanidade. Eu não digo que foi só por parte dos japoneses porque o paradoxo é porque o Japão é a segunda economia mais desenvolvida do mundo, todos tomavam o Japão e as usinas nucleares do Japão como um paradigma. Se no Japão acontece algo dessa magnitude, imagine em outras regiões do mundo em que não se tem as mesmas condições, até mesmo de lidar com eventos naturais de proporções da magnitude como aconteceu no Japão. Há uma coisa que temos que reconhecer, para não sermos injustos: em termos de lidar com terremotos, eles têm uma cultura secular, milenar de lidar com isso e com certeza são um exemplo para a Humanidade. Por outro lado, existem acontecimentos que derivam de eventos semelhantes a esses que fazem com que a junção desses eventos naturais de magnitude insondável com o nosso estilo inadequado de viver causa danos muito grandes. É um grande ensinamento.
Poder Online – Por que a senhora defende que o Brasil não precisa de energia nuclear?
Marina Silva - O Brasil não precisa da energia nuclear. Não precisa, não precisa, não precisa. O Brasil tem sol, o Brasil tem vento, o Brasil tem biomassa, o Brasil tem água, o Brasil tem, inclusive, petróleo e gás. Mas, para produzirmos energia, as pessoas estão fazendo um investimento caro para uma energia que não é segura. No meu entendimento, a grande lição é rever o programa nuclear no Brasil. O mundo todo está fazendo isso. Por que não o Brasil? O que nos faz ser diferentes em relação aos outros países nessa discussão é que nós temos alternativas. E uma boa parte não tem as alternativas que nós temos. Em relação a termos a maior área de insolação do planeta, termos um potencial de eletricidade muito grande, o próprio ex-ministro Roberto Rodrigues disse que nós teríamos quatro usinas de Belo Monte só da palha e do bagaço da cana-de-açúcar. Quem tem tudo isso fora o Brasil? Não vejo necessidade de investirmos recursos que não temos para uma energia que é cara e perigosa.
Poder Online – Por que a senhora acha que existem pessoas que defendem tanto a energia nuclear aqui no Brasil?
Marina Silva – É difícil a gente fazer qualquer tipo de especulação. Existem aqueles que querem dominar essa tecnologia. Do ponto de vista da pesquisa científica, não tem problema. Podem continuar pesquisando. Com certeza o Brasil já tem o domínio dessa tecnologia. Mas em relação ao suprimento de energia, nós temos outras fontes mais seguras, mais abundantes e até mais baratas. É uma pergunta bem interessante a que você faz. Por que, em que pesa circunstâncias, se insiste tanto na geração de energia nuclear quando a gente poderia investir em outras fontes?

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Poder Online – Como analisa a reação do governo brasileiro nessa questão?
Marina Silva – A reação mais adequada, no meu entendimento, foi a do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que diante daqueles que já ficam muito açodados em querer minimizar o que não se pode minimizar, o que não tem como minimizar, e querer mostrar uma segurança e um controle que o mundo inteiro não tem, que supostamente o Brasil teria, o Aloizio falou que nós temos riscos. Não são os mesmos riscos dos japoneses, mas temos outros riscos, e que temos que ter um olhar cuidadoso para esses riscos. Não sei se isso é a fala do governo, mas é a fala de um membro do governo que agiu, eu acho, que de acordo com a prudência, que todo mundo tem diante de algo tão avassalador como o que está acontecendo no Japão. Mais uma vez eu digo: essa visão de suposto saber, de suposto controle, está querendo enganar a quem? Engane a si mesmo, mas não queiram vir enganar a sociedade e a opinião pública.
Poder Online – Quais são esses riscos que a senhora vê no Brasil?
Marina Silva – Nós temos problemas com deslizamentos, por exemplo, chuvas torrenciais. Quem disse que esses grandes deslizamentos que acontecem em outras regiões não podem acontecer lá [em Angra dos Reis]. Ali é inseguro por natureza. Do ponto de vista geológico, não sabemos. Não sou especialista para dizer quais são todos os riscos, mas com certeza eles existem. Mas o maior risco é que não sabemos o que fazer com esses resíduos. Eles vão ficando como uma herança maldita para as futuras gerações. O que eles vão fazer com esses resíduos radioativos? Isso nós não sabemos. As pessoas apenas vão acumulando, acondicionando. E, às vezes, nem sempre da melhor forma possível. Não é só o processo de geração em si que está acontecendo nas usinas e nos reatores. São também os resíduos que vão ficando como um depósito e uma herança maldita para aqueles que virão.
Poder Online – Qual será a atitude do PV, neste momento, em relação à energia nuclear?
Marina Silva – Acredito que mantém a coerência. Quando eu era ministra do Meio Ambiente, mesmo sendo do PT, votei contra no Conselho de Política Energética. Naquela época, as pessoas acharam que o ministério estava tendo uma posição dissonante do governo e não era admissível ouvir alguns comentários de um ministro que votava contra a posição do governo. Não se tem que votar a favor ou contra a posição do governo, se tem que votar de acordo com aquilo que se acha justo, correto e ético para com a sociedade. E o meu voto e o voto da minha equipe sempre foram considerando o que orientava as ações do Ministério do Meio Ambiente: quando não temos segurança em relação a algo, temos que ser precavidos. E aí entra a ideia do princípio da precaução. Em relação a esses resíduos, é mais do que claro e evidente, e o episódio do Japão nos diz isso, não em palavras, não em papers científicos, diz na tragédia, em três dimensões, que não temos o controle, não temos como dar conta de algo que não temos um antídoto para reverter.
Poder Online – Em 2006, na reeleição do ex-presidente Lula, quando a então ministra Dilma defendeu a energia nuclear a senhora se posicionou logo depois da campanha…
Marina Silva – Em primeiro lugar: eu entrei no governo com uma posição contrária à energia nuclear, mantive a minha posição, em qualquer lugar público, contrária à energia nuclear, mantive minha posição no Senado e na campanha presidencial…
Poder Online – …a pergunta é se na época do governo, a senhora chegou a conversar com a então ministra Dilma Rousseff a respeito dessa questão da energia nuclear?
Marina Silva - Sempre conversei no âmbito dos fóruns adequados, que era o Conselho de Política Energética, do Ministério de Minas e Energia. Nós tínhamos um assento e um voto lá. Fizemos um voto e apresentamos as razões pelas quais votávamos contra e dizíamos que não era necessário o Brasil fazer esse investimento. Se era para o Brasil fazer um investimento mais elevado para geração de energia, que se fizesse isso com a energia solar, por exemplo, já que a energia eólica teve hoje uma redução do custo que está altamente competitiva, menor até do que as termoelétricas.
Poder Online – Como a senhora analisa, dentro desses fóruns e desses debates que aconteceram naquela época, a posição da então ministra Dilma em relação à energia nuclear?
Marina Silva - A ministra Dilma, na época como ministra e hoje a nossa presidente, levantava uma série de questionamentos em relação aos custos da energia nuclear. Ela sempre levantou esses questionamentos para ser honesta com a posição que ela tinha, que era uma atitude bastante reticente em relação a questão dos custos. Setores do governo, a própria EPE [Empresa de Pesquisa Energética], o próprio Mauricio Tolmasquim e setores do Ministério de Ciência e Tecnologia faziam estudos tentando convencer de que os custos não eram tão altos assim. A gente sabe que mesmo esse custo de R$ 220 por megawatt /hora está bem subfaturado. É muito maior do que isso porque tem uma série de subsídios que não aparecem. Mas lembro-me de ela, enquanto ministra de Minas e Energia, fazer críticas em relação à questão dos custos. Mas, num determinado momento, quando isso foi para votação, aí foi aprovado, inclusive com o voto favorável dela.
Poder Online – A senhora já pensou em procurar a presidenta Dilma, conversar com o ministro Aloizio Mercadante? Há alguma interlocução com o governo?
Marina Silva - Mais do que a conversa de uma pessoa com a presidente e com os ministros, o que vai prevalecer é o apelo dessa tragédia do Japão. O que nós precisamos é vocalizar essa tragédia. Não permitir que ela nos paralise e, ao mesmo tempo, não cauterizar a nossa mente, a nossa inteligência política para um episódio dessa magnitude. Ainda mais na realidade de um país como o nosso que, se há investimentos a serem feitos, que sejam para gerar energia limpa e segura. E não para uma energia que é por natureza insegura, como estamos vendo em um dos países mais desenvolvidos do mundo. Mais do que uma pessoa, é a opinião pública nacional e internacional que nesse momento se coloca. E o bom senso dos agentes públicos. É isso que vai falar na consciência de cada um.
(com Thais Arbex)

12 de jan de 2011

Dica bacana

Do Sociedade Blog:

Dica bacana!

Você já pensou que tudo o que você consome deixa um rastro no planeta? E que muitas vezes essas pegadas permanecem por muitos e muitos anos no meio ambiente, causando vários problemas?
É com base nessa ideia que foi criado o www.ecycle.com.br, um site que tem o objetivo de oferecer opções de descarte correto e consumo consciente em um mundo que pouco se preocupa com a sustentabilidade. Lá, você conhece tudo sobre um determinado material, desde suas propriedades nocivas à Terra, até como e onde descartá-lo para evitar danos ambientais.
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Vale a conferida clicando aqui.

10 de jan de 2011

Abelhas


Silenciosamente, bilhões de abelhas estão morrendo, colocando toda a nossa cadeia alimentar em perigo. Abelhas não fazem apenas mel, elas são uma força de trabalho gigante e humilde, polinizando 90% das plantas que produzimos.

Vários
estudos científicos mencionam um tipo de agrotóxico que contribui para o extermínio das abelhas
. Em quatro países Europeus que baniram estes produtos, a população de abelhas já está se recuperando. Mas empresas químicas poderosas estão fazendo um lobby pesado para continuar vendendo estes venenos. A única maneira de salvar as abelhas é pressionar os EUA e a União Europeia para eles aderirem à proibição destes produto letais - esta ação é fundamental e terá um efeito dominó no resto do mundo.

Não temos tempo a perder - o debate sobre o que fazer está esquentando. Não se trata apenas de salvar as abelhas, mas de uma questão de sobrevivência. Vamos gerar um zumbido global gigante de apelo à UE e aos EUA para proibir estes produtos letais e salvar as nossas abelhas e os nossos alimentos. Assine a petição de emergência agora, envie-a para todo mundo, nós a entregaremos aos governantes responsáveis:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

As abelhas são vitais para a vida na Terra - a cada ano elas polinizam plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, poderíamos acabar sem frutos, legumes, nozes, óleos e algodão.

Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante a nível global das populações de abelhas - algumas espécies de abelhas estão extintas e outras chegaram a 4% da população no passado. Cientistas vêm lutando para obter respostas. Alguns estudos afirmam que o declínio pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo doenças, perda de habitat e utilização de produtos químicos tóxicos. Mas um importante estudo independente recente produziu evidências fortes culpando os agrotóxicos neonicotinóides. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, a Bayer, baniram alguns destes produtos que matam abelhas. Porém, enquanto isto, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o mundo inteiro.

Este debate está esquentando a medida que novos estudos confirmam a dimensão do problema. Se conseguirmos que os governantes europeus e dos EUA assumam medidas, outros países seguirão o exemplo. Não vai ser fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o produto da Bayer é "altamente tóxico" e representa um "grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)".

Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência da Bayer sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais peritos - apicultores e agricultores - querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos, a não ser que hajam evidências sólidas comprovando que eles são seguros. Vamos apoiá-los agora.

7 de jan de 2011

PV vai comparecer

O presidente local do PV Andral Tavares Filho estará acompanhado de membros da executiva do partido nas duas Audiências Públicas referentes ao processo de licenciamento ambiental do Estaleiro do Superporto do Açu.
Os eventos acontecerão nos próximos dias11/01/2011, às 19h, em São João da Barra no Ginásio Municipal de Esportes Arlindo Aquino, no Centro e 12/01/2011, às 19h, em Campos dos Goytacazes, no auditório do SESI/ SENAI que fica no Jardim Carioca.